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Quote of the Day: "Free Speech is the right to yell 'Theater!' in a crowded fire." - Abbie Hoffman
WINDOWS TALIBÃ
Muito tempo que não posto nada de tecnologia aqui. Tenho que escrever um negócio sobre a boa e velha discussão do software livre no governo Lula, tá tudo na cabeça mas ando com pregui. Faço um um update porém - nerds que somos, eu e o Ceió fizemos uma Linux Installation Party na casa dele mês passado, regada a latinhas de skol.
Sim, sim. Vocês disseram que eu estava desatualizado, que Red Hat 6 não era exemplo, etc. etc. etc. Ok. Demos o benefício da dúvida, talvez, pensamos, o Linux tenha feito um salto tecnológico em usabilidade e interface de 20 anos nesses últimos dois anos em que parei de olhar. Instalamos o Mandrake 9 ponto qualquer coisa. Bem, mentira, o Ceió instalou, não teve paciência de me esperar e mandou ver. A instalação, disse ele, não foi sem pecalços, ele trombou em um ou outro dead-end que se não tivesse 5+ anos de experiência com Linux, a brincadeira teria terminado ali.
Mas tudo bem. Vamos usar. Vamos ver essa maravilha de sistema operacional que tem uma usabilidade maior que o Windows XP, além de ser de graça. A resposta que eu tenho pra dar é: "nhé".
Primeira coisa sim, melhorou DEMAIS. Agora dá para usar. Vejam, só copiar em uma aplicação e colar na outra FUNCIONA! Way to go, free software! Mas vamos com calma antes de dizer que esta interface está melhor do que interfaces trabalhadas em laboratório e lapidadas com esmero científico, como a do XP e do OSX.
Usar as interfaces gráficas disponíveis no Mandrake, qualquer uma, seja KDE ou Gnome, me deu aquela sensação de estar tomando Baré Cola. Voce já tomou Baré Cola? Fazia um sucesso estrondoso no interior de Minas. Alguns se arriscavam a dizer que era melhor que Coca-Cola. Mas a realidade era a seguinte - era mais barato. Baré Cola, vendida em cascos de cerveja açucarada ao ponto da saturação do paladar, com um gosto estranhíssimo de gás, só tinha o direito de existir por dois motivos: primeiro, a distribuição de Coca-Cola era falha no interior de Minas e segundo, quando a Coca-Cola dava o ar de sua graça, custava mais caro.
Com o advento das garrafas de plástico e o plano Real blá-blá-blá, por volta de 1998, as Barés Cola da vida, as tubaínas ou os refrigerantes talibãs como são às vezes chamados, saíram do seus nichos regionais e se espalharam por todo o pais, competindo head-on com a Coca-Cola. Competir é uma maneira diferente de dizer "dar uma infernal dor de cabeça para a". Porque no final das contas eu tenho meio pena da Coca-Cola.
Pena da Coca-Cola? Pois é, vejam só. Porque de cada real investido em marketing da Coca-Cola, vários centavos são usados de lenha de fogueira em uma imagem que no final das contas serve para vender mais Baré Cola. O mesmo vale para o Sprite, Fanta e suas contrapartidas talibãs.
Usando o KDE e o Gnome e entornando latinhas de Skol na sala estranhamente laranja da casa do Ceió, eu senti um pouco de pena da Microsoft. Porque o KDE e o Gnome não passam de Windows Talibãs. Eles tem start button. Eles tem taskbar. Todos os menus dos programas são a familiar sucessão "File, Edit, View". Inovação zero. Desafio zero. KDE e Gnome são um monumento à engenharia reversa preguiçosa. Nada contra a engenharia reversa, mas teoricamente ela deveria produzir um produto final melhor do que aquilo que foi desconstruído, para pelo menos justificar a falta de criatividade inicial. É aí que está a engenhosidade, que deixa MUITO a desejar nas interfaces gráficas do Linux.
E cada dólar que a Microsoft investe em refinamentos de interface de versão para versão - do 3.11 para o 95, e daí para o 98 e daí para o 2000 e daí para o XP e agora para o Longhorn também serve para impulsionar um movimento feroz de cópia. E como eu ouvi do Paulo Francis, mas o acaba de me contar que foi um certo Charles Caleb Colton que disse, "imitation is the sincerest form of flattery." O que mostra a contradição inerente neste pedaço do mundo open-source - se a Microsoft é a raiz de todo o mal, imitá-la de maneira tão gritante mostra no mínimo uma tremenda falta de integridade ideológica.
E como eu tenho descoberto nas minhas discussões com os membros do "movimento" nos últimos meses, ideologia é o que não falta. A parte da integridade, como descobrimos, é que anda meio capenga. Triste isso - quando a política e o radicalismo e a ideologia entram o cenário tecnológico, a inventividade e a inovação e as cabeças pensantes fazem uma rápida saída pela esquerda. Ou pela direita. Você escolhe.
Esse debate não para por aqui. A pergunta é: o Linux está pronto para o desktop? Quando Matthew Szulik, CEO da Red Hat, vem te dizer "Stick with Windows at Home", quem sou eu para discutir? Mas sim, talvez ele esteja exagerando. E provavelmente está, porque o Desktop Linux hoje está uma cópia tão descarada (mal executada, talvez) dos preceitos de interface que a Microsoft difundiu, que teoricamente garante um mínimo de usabilidade por correlação básica.
O debate está longe de acabar. Mas continuo inabalado - Linux, saia já do meu home computer onde você é uma vergonha e volte para o lugar de onde você nunca deveria ter saído: o quartinho refrigerado lá atrás onde você é uma estrela.
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crtfm.
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